
Por tanto tempo, ela só pensou em fugir. Correr até perder o fôlego e esquecer tudo ao seu redor. Ela sentia como se estivesse caindo na escuridão que a assombrou por toda sua vida. Seu maior medo era que a escuridão voltasse a controlá-la e que desta vez fosse inútil resistir. Ela procurou maneiras de voltar a ser quem era antes, mas todas foram falhas. Passou pela porta do quarto, pegou as chaves de casa e seguiu em direção à rua. O sopro do vento característico da estação ajudava-a a relaxar. Distraída, não percebeu o que estava por vir até que foi tarde demais. O choque do metal duro com seu corpo frágil fez com que ela fosse arrancada do chão, como se não pertencesse lá. A princípio, tudo o que ela sentiu foi dor e confusão, sem entender porque todos gritavam. E então, o silêncio pairou sobre ela e seu corpo relaxou, ao mesmo tempo que seus olhos pesavam pela última vez. Apoiando o rosto no asfalto, ela finalmente se sentiu livre.
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