Nada mais que o silêncio sem sentido. O interesse nas coisas esvaia-se dela com o ar que saía de seus pulmões. Ela enxergava tudo ao seu redor em preto e branco. Nada se destacava, ninguém lhe atraía. Até a mais simples conversa parecia cansar-lhe, pois ninguém conseguia entendê-la. Por muito tempo, ela decidiu que precisava fugir desta cidade de almas vazias. E ela fugiu, dentro dela mesma. Lentamente, foi se tornando invisível, até para as pessoas de seu convívio diário. Ela preferia assim, era mais fácil do que tentar explicar-se para quem não quer ouvir. Com a cabeça baixa, sentou-se na areia, e com um graveto que encontrou no meio do trajeto, escreveu todos os seus sonhos. Depois, levantou-se, virou as costas para o mar e caminhou sem direção, decidida a parar só quando os pés não aguentassem mais. Uma onda quebrou na areia, apagando tudo o que ela havia escrito. O vento bateu em seu corpo, apagando-a como as palavras na areia. E depois de sumir, ela se sentiu feliz.
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